domingo, 29 de novembro de 2009

Ensinar a usar o penico e "largar" as fraldas...

     As informações abaixo orientam os pais na "arte" de ensinar aos seus filhos a usar o penico. Converse com o pediatra sobre essa etapa importante do desenvolvimento.

Título: Your Child's Health
Autor: BARTON D. SCHMITT
Editora: BANTAM BOOKS, 1999

     Como Usar o Banheiro: Princípios Básicos
     Definição
    Seu filho terá aprendido a usar o banheiro quando, sem ninguém lembrar, for ao vaso sanitário, despir-se, urinar ou defecar e vestir a roupa. Algumas crianças aprenderão a controlar primeiro a bexiga, outros iniciarão primeiro o controle dos intestinos. É possível realizar simultaneamente o treinamento para ambos os tipos de controle. O controle da bexiga durante a noite geralmente começa alguns anos após o controle diurno. O método gradual de ensinar a usar o banheiro descrito aqui geralmente pode ser concluído em um período de 2 semanas a 2 meses.

     Sinais de que seu filho está pronto para aprender a usar o banheiro
     Não inicie o treinamento até que esteja claro que seu filho está pronto. A criança estar preparada não é algo que ocorre espontaneamente; requer conceitos e habilidades que você pode começar a ensinar a seu filho a partir dos 12 meses de idade. Pode ser útil ler para seu filho livros especiais sobre como usar o banheiro. Quase todas as crianças podem estar preparadas para aprender a usar o banheiro aos 2 anos de idade e algumas estão preparadas aos 18 meses. Quando seu filho tiver 3 anos de idade, provavelmente terá aprendido a controlar-se sozinho. Os seguintes sinais indicam que seu filho está pronto para aprender:
- Seu filho entende o que quer dizer "xixi", "cocô", "seco", "molhado", "limpo", "sujo" e "peniquinho" (ensine para ele essas palavras).
- Seu filho entende para que serve o peniquinho. Ensine isso deixando-o observar os pais, seus irmãos maiores e outras crianças que tenham mais ou menos a mesma idade dele enquanto usam o banheiro corretamente.
- Seu filho prefere as fraldas limpas e secas. Troque-o frequentemente para fomentar essa preferência.
- Seu filho gosta que o troquem. Tão logo ele começe a andar, ensine-o que vá até você imediatamente quando estiver molhado ou sujo. Elogie-o por ir até você para que o troque.
- Seu filho entende a relação entre as calças secas e o uso do peniquinho.
- Seu filho pode reconhecer a sensação da bexiga cheia e a necessidade de defecar, quer dizer, caminha de um lado para outro, dá pulos, põe as mãos sobre os genitais, tira as calças, se senta com as pernas encolhidas. Ajude-o a entender estes sinais: "seu corpo quer fazer xixi ou cocô; ele precisa de sua ajuda". Ensine-o a procurá-la nestes casos.
- Seu filho tem a capacidade de adiar um pouco o ato de urinar ou defecar. Pode ser que se afaste um pouco e volte molhado ou sujo, ou pode ser que acorde seco.

     Método para ensinar seu filho para usar o banheiro
     A forma de ensinar a seu filho a usar o banheiro consiste em proporcionar-lhe estímulo e elogio, seja paciente e faça com que o processo se torne divertido. Evite qualquer pressão ou castigo. Seu filho deve sentir que ele controla o processo.

1. Compre o que for necessário:
- Cadeira com peniquinho (do tipo ao nível do chão). Se os pés alcançam o piso quando estiver sentado no peniquinho, seu filho pode fazer força e ainda ter sensação de segurança. Ele também pode sentar e levantar sempre que quiser.
- Suas guloseimas favoritas (tais como saladas de frutas, biscoitos salgados e doces) podem ser usadas como recompensas.
- Figurinhas ou estrelas adesivas como prêmios.

2. Faça com que a cadeira do peniquinho seja uma das posses favoritas de seu filho
Várias semanas antes de começar a ensinar seu filho a usar o banheiro, leve-o com você para comprar a cadeira com penico. Esclareça para ele que esta é sua própria cadeirinha especial. A criança pode ajudar a por seu nome na cadeira. Deixe que a criança decore a cadeira ou mesmo que a pinte de cor diferente. A seguir, faça com que se sente nela totalmente vestido até que se sinta cômodo utilizando-a como assento. Faça-o sentar-se na cadeira enquanto assiste televisão, toma algum lanche, entretém-se com algum brinquedo ou enquanto olha algum livro. Mantenha a cadeira em um quarto onde seu filho brinca sempre. Só após seu filho ter claramente uma preferência pela cadeira com penico (após pelo menos 1 semana), começe a ensinar-lhe a usá-la como deve.

3. Estimule os períodos de prática com o penico
Faça um ensaio prático a cada vez que seu filho der um sinal que pareça ameaçar uma evacuação ou micção, tais como sons ou expressões faciais, grunhidos, pôr as mãos sobre os genitais, tirar as calças, andar de um lado para outro, sentar-se de cócoras, contorcer-se ou soltar gases. Outras boas ocasiões são após as sestas ou 20 minutos após as refeições. Diga para ele, de forma estimuladora: "o cocô (ou xixi) quer sair; vamos usar o peniquinho". Cuide para que vá até o penico e sente- se sem calças ou fraldas. A seguir, você pode dizer para a criança: "faça o xixi no peniquinho". Se seu filho não quiser colaborar, incentive-o a sentar-se sobre o penico fazendo algo divertido, como por exemplo, ler uma história. Se seu filho quiser levantar-se após um minuto que o esteja incentivando, permita que faça isso. Nunca o obrigue a permanecer sentado. Nunca o force fisicamente a ficar sentado no penico nem o intimide com chinelos ou correias. Mesmo que seu filho pareça gostar de ficar sentado ali, termine cada sessão após 5 minutos a não ser que esteja obtendo resultado.

4. Elogie ou recompense seu filho por sua cooperação ou por qualquer êxito
Toda a cooperação de seu filho nestas sessões práticas deve ser elogiada. Se seu filho urinar no peniquinho, você pode recompensá-lo com alguma guloseima ou figurinha, assim como com elogios e abraços. Mesmo que para algumas crianças o fato de ter conseguido já é suficiente, outras necessitam de algum prêmio para continuar progredindo. As grandes recompensas (como ir tomar um sorvete) devem ser reservadas para quando seu filho for para o penico sozinho e utilize-o, ou quando ele disser para você que quer ir ao penico e use-o com êxito. Após seu filho estar usando o penico por si só, as sessões de treinamento podem ser suspensas. Durante a semana seguinte, continue elogiando a criança freqüentemente por estar seco e por usar o peniquinho. As sessões de prática e os lembretes não devem ser necessários por mais de 1 ou 2 meses.

5. Troque seu filho após os "acidentes"
Troque seu filho tão logo seja possível, mas mostre-se compreensiva. Diga a ele algo como "você queria fazer xixi no penico, mas fez na roupa; sei que incomoda porque gosta de ficar seco - logo melhorará". Se você sentir necessidade de criticar, limite a crítica a uma leve desaprovação verbal e use-a em raras ocasiões (por exemplo, "as crianças grandes não fazem xixi nas calças", ou mencione o nome de outra criança que seu filho gosta e que já sabe usar o banheiro); a seguir, troque a fralda ou coloque calças plásticas de forma tão prazerosa quanto possível e sem irritar-se. Evite o castigo físico, os gritos e os resmungos. A pressão ou a força podem fazer com que uma criança de 2 anos de idade deixe de cooperar completamente. Não mantenha seu filho molhado ou sujo como forma de castigo.

6. Vista seu filho com calções após começar a usar o peniquinho
Troque as fraldas por calções após seu filho começar usar o penico e faça aproximadamente metade de suas micções e defecações nele. Seu filho decididamente estará pronto para usar calções de treinamento se chamá-la para o ajudá-lo a retirar a fralda para usar o penico. Leve seu filho com você para comprar os calções e converta isto em recompensa por causa de seu êxito. Compre calções frouxos que seu filho possa retirar e colocar facilmente sem ajuda. Uma vez que ele começe a usar estes calções, use fraldas apenas quando ele for tirar uma soneca e durante a noite.

domingo, 25 de outubro de 2009

Mãe, não quero ir à escola!

     Recusa escolar é uma queixa frequente que pode ser "pano de fundo" para vários problemas:

- Família → Ausência de regras (ausência ou fraqueza de autoridade).
              → Superproteção dos pais (principalmente da mãe).
            
- Criança → Conformada, quieta; abate-se por pequenos problemas.

- Escola → Bullying (bully = "valentão"): gozações e/ou agressões físicas de colegas.
             → Abuso sexual.   

     Condições psiquiátricas associadas:

- Transtorno da ansiedade de separação.
- Fobia específica.
- Depressão.

     Há causas não-psiquiátricas para recusa escolar (crianças que cabulam aulas, pais que afastam seus filhos deliberadamente da escola, doença física). Portanto, o ideal é a avaliação inicial pelo pediatra; caso este julgue necessário, encaminhar para avaliação especializada.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Prevenção da depressão em adolescentes de alto risco

     Prevenir tende a tornar a vida menos complicada, valendo também para a depressão. Os autores citados abaixo (Universidade de Vanderbilt - Estados Unidos) realizaram um estudo com adolescentes (13 a 17 anos → entre 2003 e 2006) cujos pais tinham ou têm depressão.

     Os adolescentes tinham histórico de depressão, sintomas depressivos subdiagnosticados ou ambos. Foram divididos em 2 grupos, sendo um submetido à Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e outro aos cuidados usuais.


Título: Prevention of Depression in At-Risk Adolescents
Autor: JUDY GARBER; GREGORY N. CLARKE; V. ROBIN WEERSING; et al
Fonte: JAMA, 301(21):2215-2224, JUNE 2009

     Sobre a depressão:
    - É uma condição episódica e comum que está associada a dificuldades de relacionamento, prejuízo escolar e de desempenho no trabalho.
     - Aumenta o risco de abuso de substâncias e suicídio.
    - Associada com depressão crônica e recorrente na vida adulta → uma das principais causas de morbidade e mortalidade.
     - Apenas 25% dos jovens deprimidos recebem tratamento → pelo menos 20% desenvolvem depressão persistente, recorrente e crônica (muito difícil de tratar).


     Resultados:
     - Adolescentes submetidos à TCC apresentaram menores taxas de depressão e melhora dos sintomas depressivos relatados pelos mesmos. 
     - Aqueles que não tinham pai(s) deprimido(s) se beneficiaram mais da TCC. 
     - Aqueles que tinham pai(s) deprimido(s) se beneficiaram mais dos cuidados usuais.

     Pais deprimidos teriam mais dificuldades de perceber seus próprios problemas e, por conseguinte, das alterações comportamentais dos seus filhos? Seria o tratamento de toda a família uma estratégia para confrontar a depressão de forma mais adequada? Vamos refletir a respeito.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Essa criança tem déficit de atenção / hiperatividade?

     Sugestão prática: entregue a lista abaixo para seus pais, seus sogros, seu marido(esposa) e professor(a). Peça para que assinalem, nos próximos 6 meses, quais itens são comuns na vida da criança. Após, leve-a ao pediatra e questione se há necessidade de encaminhamento ao psiquiatra da infância e adolescência.

LISTA - DSM-IV

Desatenção
a) frequentemente deixa de prestar atenção a detalhes ou comete erros por descuido em atividades escolares, de trabalho ou outras
b) com frequência tem dificuldades para manter a atenção em tarefas ou atividades lúdicas
c) com frequência parece não escutar quando lhe dirigem a palavra
d) com frequência não segue instruçõe e não termina seus deveres escolares, tarefas domésticas ou deveres profissionais (não devido a comportamento de oposição ou incapacidade de compreender instruções)
e) com frequência tem dificuldade para organizar tarefas e atividades
f) com frequência evita, antipatiza ou reluta a envolver-se em tarefas que exijam esforço mental constante (como tarefas escolares ou deveres de casa)
g) com frequência perde coisas necessárias para tarefas ou atividades (por exemplo, brinquedos, tarefas escolares, lápis, livros ou outros materiais)
h) é facilmente distraído por estímulos alheios às tarefas
i) com frequência apresenta esquecimento em atividades diárias


Hiperatividade
a) frequentemente agita as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira

b) frequentemente abandona sua cadeira em sala de aula ou outras situações nas quais se espera que permaneça sentado
c) frequentemente corre ou escala em demasia, em situações nas quais isso é inapropriado (em adolescentes e adultos, pode estar limitado a sensaçõıes subjetivas de inquietação)
d) com frequência tem dificuldade para brincar ou se envolver silenciosamente em atividades de lazer
e) está frequentemente " a mil" ou muitas vezes age como se estivesse "a todo vapor"
f) frequentemente fala em demasia


Impulsividade:
g) frequentemente dá respostas precipitadas antes das perguntas terem sido completadas
h) com frequência tem dificuldade para aguardar sua vez
i) frequentemente interrompe ou se mete em assuntos de outros (por exemplo, intromete-se em conversas ou brincadeiras)
 
obs.:
- Alguns sintomas de hiperatividade/impulsividade ou desatenção que causaram prejuízo estavam presentes antes dos 7 anos de idade.
- Algum prejuízo causado pelos sintomas está presente em dois ou mais contextos (por exemplo, na escola [ou trabalho] e em casa).

Fonte adicional: clique aqui.

domingo, 27 de setembro de 2009

Tricotilomania

     Destaco algumas questões da edição de setembro / 2009.
    
     Avança, Ciência! Há muita gente precisando da sua ajuda!
         
Título: Trichotillomania Across the Life Span
Autor: MICHAEL H. BLOCH
Fonte: J . AM. ACAD. CHILD ADOLESC. PSYCHIATRY, 48:9, SEPTEMBER 2009

     A tricotilomania (TTM) é um distúrbio em que os pacientes arrancam, cronicamente, os próprios cabelos. Pode causar danos significativas sob os aspectos sociais, acadêmicos e médicos.

     A Terapia Comportamental tem demonstrado grande eficácia no tratamento de adultos com TTM. Grandes ensaios clínicos não controlados sugeriram eficácia similar em crianças.      O tratamento farmacológico para TTM é amplamente utilizado, apesar de poucas evidências empíricas de eficácia. Vários ensaios clínicos, duplo-cegos e randomizados, demonstraram que os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (exemplos: sertralina e fluoxetina) não têm nenhuma eficácia no tratamento dos sintomas primários da tricotilomania no adulto. Entretanto, podem ser úteis no tratamento da ansiedade ou dos sintomas depressivos associados à TTM. 

     Acerca dos antipsicóticos (exemplo: haloperidol), não foram publicados estudos duplo-cegos com placebo controle para demonstrar a sua eficácia, e os efeitos colaterais limitam seu uso em crianças.


     A N-acetilcisteína (NAC), modulador do glutamato e com propriedades antioxidantes, demostrou ser uma grande promessa em adultos com TTM, mas, ensaios clínicos são necessários para demonstrar a sua eficácia nas crianças. 

Fonte adicional: clique aqui.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Autismo e bebês

     O diagnóstico de autismo pode ser feito antes dos 3 anos de vida. Entretanto, não é incomum aquele ser suspeitado apenas quando entram na escola, por exemplo.

     Se o seu bebê (0-2 anos):
     → não sorri;
     → não demonstra interesse para ser pego no colo quando os pais se aproximam;
     → não olha nos olhos de outras pessoas (ou o faz de forma pouco intensa);
     → parece não ouvir o chamado de outras pessoas, mas, tem interesse intenso por sons de objetos;
     → apresenta sons (balbucios) mínimos ou anormais (ruídos, estalos, sons, guinchos);
     → fala sílabas sem sentido;
     → tem atraso ou ausência de fala;
     → repete a frase inteira (ou a última palavra da mesma) das outras pessoas;
     → desaprendeu palavras ou frases que sabia antes;
     → demorou para andar;
     → brinca de forma repetitiva e monótona;
     → tem movimentos ou comportamento repetitivo e sem propósito;
     → ligação intensa com algum objeto (aspirador, por exemplo);
     → comporta-se com estranhos e familiares da mesma forma;
     → demonstra medo ou raiva quando a sua rotina é modificada;
     → não percebe o estado emocional (alegria, raiva) de outras pessoas;
     → melhora o comportamento quando está doente;
     → permanecem ser ter lado preferencial (esquerda / direita) para escrever ou chutar bola, por exemplo;
     → não brinca com crianças da mesma idade;
     procure o seu pediatra para avaliação e, se a suspeita de autismo (ou outra alteração no desenvolvimento) for percebida, encaminhamento posterior para profissional habilitado (psiquiatria da infância e adolescência / psicologia).

     Esta postagem não visa substituir avaliação médica; é apenas um instrumento para estimular pais e familiares a procurar avaliação precoce.

     Fonte adicional: clique aqui.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Pedofilia

Muitas pessoas não sabem, mas, para ser pedófilo, não precisa haver relações sexuais (oral, anal, vaginal) entre o criminoso e a vítima. Fantasias ou impulsos sexuais (espiar por janelas, mostrar órgãos genitais, conversar sobre sexo com crianças via internet, tocar órgãos genitais da vítima) também são atitudes de pedofilia.


Principais abusadores:
1) familiares (pai, padrasto, tios, irmãos mais velhos)
2) amigos
3) estranhos - menor percentual

Sinais e sintomas:
1) Machucados / dor / coceira nos órgãos genitais
2) Sangramento (órgãos genitais ou ânus)
3) Infecções urinárias / corrimentos vaginais repetitivos
4) Conversas / comportamentos sexuais
5) Medo de adultos (principalmente de homens)
6) Ansiedade / fobias / depressão

Denuncie! Os resultados físicos e psicológicos em crianças e adolescentes podem ser devastadores e de longa duração.

Caso você conheça alguém que sente atração por crianças / adolescentes e reconhece isso como comportamento anormal, com medo de "perder o controle", oriente-o a procurar atendimento psiquiátrico "para ontem".

Fonte adicional: clique aqui.